Menu ×

Notícias / Liderança

Líderes inteligentes são mais eficazes?

A teoria dos recursos cognitivos diz que não necessariamente

Redação - 13/10/2016 - 11:59:56

Crédito: Banco de Imagens  /  Fonte: Universidade Nova de Lisboa

A teoria dos recursos cognitivos (TRC) foi desenvolvida por Fiedler e seus colaboradores. Sendo a inteligência e a experiência critérios frequentemente usados na seleção de líderes, a relevância da TRC é indesmentível. Simplesmente descrita, ela advoga que essas duas características apenas contribuem para a eficácia em determinadas situações.

Essencialmente, aventa que o desempenho do grupo é determinado pela interacção complexa entre dois traços do líder (experiência e inteligência), um tipo de comportamento do líder (liderança diretiva) e dois aspectos da situação (estresse interpessoal e natureza da tarefa do grupo). A teoria pode ser explanada em termos de três proposições.

A primeira considera que a inteligência do líder contribui para o desempenho do grupo quando o líder é diretivo, a tarefa é complexa e os subordinados necessitam de ser orientados para executarem devidamente as tarefas. Eis a explicação:

Presume-se que os líderes inteligentes estão mais habilitados a fazer bons planos e gerir estratégias eficazes. Esses planos e estratégias são comunicados aos subordinados através da liderança diretiva. Todavia, se a tarefa é simples e rotineira, os subordinados sabem como atuar, pelo que a inteligência do líder não é pertinente e a liderança diretiva é inconsequente. Quando a capacidade do líder é fraca mas os seus colaboradores denotam talento e partilham os objectivos de tarefa do líder, então a liderança participativa é mais eficaz do que a diretiva. Ou seja, é possível alcançar elevado desempenho do grupo com fracas capacidades do líder, desde que os colaboradores sejam talentosos e o líder os ouça.

A segunda proposição sugere que a incerteza e o estresse interpessoal (seja ele induzido pelos comportamentos do líder, ou por crises e conflitos de génese alheia) moderam as relações entre a inteligência e o desempenho do grupo. O modelo advoga que os líderes inteligentes fazem melhores planos e tomam decisões de melhor qualidade apenas quando o nível de estresse é baixo. Nessa situação, eles conseguem recorrer às suas capacidades intelectuais para analisarem o problema e decifrarem a melhor solução.

Mas, estresse elevado pode interferir na capacidade de processamento da informação e tomada de decisão, pelo que a inteligência não proporciona qualquer vantagem, podendo mesmo ser contraproducente. Se soma a isso que, ansiosos por protegerem a sua imagem e reputação, podem tomar decisões de pior qualidade. Podem, ainda, ficar inibidos na sua capacidade de produção de ideias criativas, necessárias para reagir a problemas novos e que exigem respostas inovadoras.

A terceira proposição diz que o estresse percepcionado também modera a relação entre a experiência do líder e o desempenho do grupo. Especificamente, sob condições de elevado estresse, os líderes experientes são mais eficazes do que os inexperientes, mas o inverso ocorre quando o nível de estresse é baixo. Isso acontece porque, sob estresse, os líderes recorrem ao seu repertório de comportamentos e conhecimentos adquiridos pelas experiências anteriores. Assim, quanto mais rica é a experiência mais eficaz é o seu desempenho. Mas, em condições de baixo estresse, os líderes experientes podem sentir-se entediados e pouco desafiados, tendendo a usar a inteligência e a subutilizar a experiência.

Importante notar que os proponentes da TRC sugerem uma lógica de intervenção, pelo menos parcialmente, na engenharia situacional: assim, o desempenho dos líderes pode ser incrementado através de atuações sobre a situação (principalmente o nível de estresse interpessoal).

Parafraseando Fiedler, "não podemos fazer líderes mais inteligentes ou mais criativos, mas podemos desenhar situações que permitam aos líderes utilizar mais eficazmente as suas aptidões intelectuais, conhecimentos especializados e experiência". Importa, por conseguinte, atuar em dois planos: "(x) Devemos recrutar e seleccionar indivíduos com as capacidades intelectuais, experiência e conhecimentos relevantes; (y) devemos proporcionar-lhes a oportunidade de trabalhar sob condições que lhes permitam usar eficazmente [esses] recursos cognitivos..."

Cabe finalmente frisar que, em geral, as proposições da teoria têm recebido acolhimento favorável nas pesquisas.

Alguns dos seus aspectos, porém, carecem de aprimoramento e teste empírico.

 

Faça seu Download

Nesta área você encontra o nosso diretório de parceiros de negócios com relatórios, pesquisas, vídeos e estudos de caso para que você possa alcançá-los para obter informações adicionais sobre os produtos e serviços que ajude a você na tomada de decisão.

Para receber o download, por favor, preencha apenas na primeira vez os seus dados e qualificação e receba imediatamente o material para leitura.

Listar todos os arquivos