É fácil perder de vista os instintos básicos que atraem e impulsionam os negócios e com isso naturalmente construímos mecanismos de relacionamento  cada vez mais artificiais.  A humanização dos ambientes de trabalho, que a primeira vista nos parece absurda, afinal somos seres humanos, é o caminho para criarmos cenários colaborativos de gestão. 

Queremos simplicidade nas relações. Mesas compartilhadas, trocas de informações, espaços comuns que são extensão de nossa casa são hoje realidade em  muitos ambientes corporativos. Isso não é modismo.

Na história das relações corporativas e a medida que as empresas cresciam as portas iam se fechando, as hierarquias dividindo, o poder sendo soberano, a obediência sinônimo de resiliência e as paredes sendo construídas ao invés de pontes. A frieza do concreto, das distâncias entre as pessoas provaram não ser ambientes que estimulam a produtividade, inovação e criatividade.

O ciclo de renovação e reinvenção que estamos vivendo era previsto e necessário. Precisávamos em um determinado momento parar e entender se seguíamos com o que tínhamos ou recriávamos um nova forma de atuar.

 O boom de novos empreendedores e gestores inspiracionais resgataram modelos antes esquecidos. Muitas empresas estão re-incorporando novas formas de se relacionar, esquecidas no tempo, construindo um sistema que facilite conversas diretas, maior contato com a informação e com o dono. 

A nova forma, performance colaborativa 

A economia colaborativa que estamos vivendo é certamente a maior oportunidade de revisitarmos os modelos que hoje estão prevalecendo nas empresas. A solução consciente e consistente certamente terá que vir do fortalecimento da tríade: Pessoas, Processos e Tecnologia. É a ação coordenada desses conceitos que nos conduzirá para a melhor solução.

A solução para esse novo cenário não é só tecnológica. A sustentação se dá na forma que as pessoas se relacionam hoje e na forma que os processos internos representam esses modelos. A transformação é sim cultural. Nenhuma ferramenta fará o milagre de construir um ambiente colaborativo e de gestão de resultados se não houver um projeto simultâneo de alinhamento cultural, objetivos que são construídos Top-Down, Down-Top e transparência nas relações.

Enriquecendo o glossário 

Com a performance colaborativa resignificamos um glossário de palavras como  compartilhar, trocar, apoiar, dividir, co-criar, seguir e complementamos o tradicional feedback com o  feedforward.

Os processos passam a ter significado para os grupos e não para um ou outra pessoa. A consciência da responsabilidade é compartilhada e todos os indivíduos passam a criar uma idéia e terem responsabilidade sobre um objetivo e não mais somente o gestor. "O que" e como"  se integram no contexto de gestão de desempenho e não mais somente no final do processo, com modelos de 9box que classificam e emitem rating de pessoas no final do processo. Não temos separação de metas e competências, tudo é uma coisa só.

Na mesma toada 

Da mesma forma que o tema nos incita a reflexão sobre uma atitude colaborativa e  a medida que evoluímos com o tema, iremos compartilhando nossas discussões internas e com clientes,  esperando ouvir de todos contribuições significativas para um novo jeito de realizar gestão de desempenho.

 

*Antonio Zubieta é COO e fundador da 2Trues.