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Notícias / Liderança

Sob nova geração

Henry Maksoud Neto está reinventando o Hotel Maksoud Plaza por meio de parcerias

Rachel Cardoso - 14/09/2016 - 09:38:38

Crédito: Divulgação  /  Fonte: Revista Conselhos

Desde que assumiu o comando do Hotel Maksoud Plaza após a morte de seu fundador, em 2014, Henry Maksoud Neto tomou uma série de decisões para recolocar o empreendimento no badalado roteiro de São Paulo. A diferença entre ele e o avô é que Maksoud Neto lançou mão de parcerias para tentar reerguer aquele que foi o marco da sofisticação nos anos de 1980 e 1990. “Ele ia preferir fazer tudo sozinho”, afirma o neto, saudosista.

Segundo conta, aprendeu tudo que sabe com o avô e a determinação parece ser questão genética, principalmente quando o assunto é a retomada do hotel, cuja história se mistura com sua trajetória pessoal. Henry Neto era um bebê de colo – que caiu nas graças das monjas beneditinas que habitavam a Abadia de Santa Maria na década de 1970 – quando o avô decidiu construir um empreendimento de luxo naquele local. E a persistência nas negociações foi tanta que conseguiu o que parecia ser impossível: mudar o monastério de lugar. Ao recordar o passado, Henry Neto não esconde a admiração pelo avô. “Comecei na cozinha do hotel com 15 anos, mas desde os cinco eu o acompanhava em reuniões da diretoria”, afirma o empresário, que sabe que tem pela frente um árduo desafio. Precisa fortalecer e costurar acordos comerciais para atrair ao lugar um público jovem e eclético, geração para qual o glamour dos velhos tempos já não importa tanto.

Nesta entrevista, concedida em sua sala no Maksoud Plaza, a uma quadra da Avenida Paulista, ele detalha os planos para o futuro e as lições aprendidas com a geração passada.

O que mais marcou o senhor no processo de nascimento do Maksoud Plaza?

Toda a sua concepção está muito viva na minha memória. Quando foi inaugurado em 1979, eu tinha quatro anos de idade. O convite da inauguração foi um capacete de proteção, porque o empreendimento ainda estava em obra, mas meu avô decidiu abrir as portas assim mesmo. Também estive presente nas negociações da compra do terreno, onde funcionava um monastério de beneditinas. Tudo aqui está intimamente entrelaçado com a minha história de vida.

O que o senhor tirou de lição da convivência com o seu avô?

Eu sou 100% o que meu avô era. Às vezes me dá até raiva. Trabalhei a vida inteira com ele. Pensamos e agimos de maneira semelhante. Somos diferentes apenas na questão do estabelecimento de parcerias. Meu avô reprovaria o que tenho feito. Ele não gostava de se associar a ninguém, mas os tempos eram outros e a cultura, também. O habitual era nos falarmos, no mínimo, cinco vezes por dia. Ele me criou porque meus pais se separaram muito cedo. Eu fiz faculdade de Economia, porque ele adorava Economia e me levava para participar de palestras. Nas reuniões de diretoria que ele presidia, sempre botava ao seu lado uma cadeirinha, dessas de crian- ça, comigo nela. Tem muita história. Acho que o negócio é tratado de forma diferente quando se vive a vida em torno dele. É diferente de come- çar algo do zero. Há uma relação de carinho. Eu não saberia fazer outra coisa na vida.

Qual a importância para um líder conhecer na prática seu negócio?

Comecei na cozinha com 15 anos. Depois, fiz estágio em todas as áreas. Falo por mim, mas quem não sabe fazer não sabe mandar. Eu acho que faz toda a diferença, sem dúvida alguma.

O senhor considera sua gestão inovadora?

Sim. Temos absoluta transparência em tudo – números, informações. Todas as pessoas que trabalham aqui têm acesso a tudo, inclusive a mim. Simplicidade é outro item importante em nossa gestão. Quanto mais simples for o negócio, mais os processos funcionam.

E qual é a fórmula?

É preciso descomplicar os processos e reduzir a burocracia para que as pessoas trabalhem à vontade. Isso não quer dizer baderna. Tudo tem de ser feito com muita responsabilidade, com muita pressão, com muita cobrança de resultados. Nesse sentido, tenho vontade de ampliar a governança da empresa a um patamar superior às empresas de capital aberto.

Pretende abrir capital?

Devemos estar preparados para tudo, mas, acima de tudo, acho que isso é essencial para sobrevivência de qualquer empreendimento. Tudo muito organizado, profissional. Sou completamente alucinado por organização e comunicação. Acho que são coisas fundamentais dentro de uma empresa, principalmente numa empresa de serviços.

São quantos funcionários hoje?

Hoje são 300. No auge, chegamos a ter aqui 1,2 mil colaboradores. Mas o perfil era completamente diferente. Acho importante salientar que não quero manter um hotel luxuoso, porque acho que isso não existe mais no mundo. É óbvio que se alguém quiser ir ao George V [em Paris] se hospedar num palácio, existe essa op- ção. Mas, no geral, as pessoas querem qualidade de serviço, simplicidade, não querem pagar por aquilo que não utilizam. Isso é extremamente importante e é nisso em que me baseio para as tomadas de decisões.

Essa é a tendência do setor de hotelaria?

É o que eu observo. O chá servido num bule de prata é o que menos importa. Ninguém mais dá a menor bola para isso. O consumidor quer tomar um vinho e pagar apenas R$ 60 pela garrafa, mas exige que a bebida seja extraordinária.

Como surgiu a ideia das parcerias para a revitalização do local?

Há alguns anos que já procuramos fazer algum acordo que dê uma dinâmica ao público. Muita gente nem sabia que o hotel existia. A geração “Y”, dos 30 anos, principalmente. Então, resolvemos proporcionar uma primeira experiência, um primeiro contato. Dessa forma, é criado um caldo cultural que vai se multiplicando e repercute em tudo: em hospedagem, em eventos ou em uma simples pausa para um drinque após o expediente. O grande sucesso do nosso trabalho aqui, principalmente no ano passado, foi trazer mais pessoas para cá.

Quais parcerias o senhor destacaria pelos resultados?

Temos um contrato comercial com a rede Accor, que passou a oferecer o Maksoud para agências e sites de viagens. Um acordo que já representa 15% das reservas do hotel, que encerrou o ano de 2015 com 19% de crescimento em faturamento e uma taxa média de ocupação acima dos 70%. Outra medida é o aproveitamento de lugares ociosos. No ano passado, foi inaugurado o PanAm Club, um exclusivo espaço de eventos com temática inspirada na antiga companhia aérea americana, no topo do prédio, embaixo do heliponto. 

Há investimentos próprios?

No caso do PanAm Club, não. Ele é do empresário Facundo Guerra, sócio do Grupo Vegas, que por sinal tem me ajudado muito na reestruturação e no marketing. Ele também investirá no Planta, um mix de floricultura, café e comida vegetariana, que funcionará no estacionamento. Para reforçar a área de entretenimento, fizemos um investimento no Frank Bar, hoje referência em coquetelaria na capital paulista, comandado pelo bartender Spencer Amereno Jr.

O nome é uma referência ao cantor Frank Sinatra?

Exatamente. Ele foi batizado de Frank em referência ao lendário show do cantor aqui, em 1981. E outro investimento nosso é na reformulação do restaurante do lobby, batizado 150 Maksoud, uma alusão ao endereço do hotel e ao badalado 150 Night Club, onde foi realizada a antológica apresentação de Sinatra. A gastronomia também é uma aposta para manter o crescimento dos números em 2016. Por isso, trouxemos o chef Juca Duarte, que trabalha num novo cardápio para todo o hotel.

E o senhor estuda novos acordos?

Desde que sejam pensados milimetricamente, sempre com o intuito de fazer o hotel ser mais frequentado por todo o tipo de público, não vejo mal. Estudaremos qualquer boa ideia. Por pior que seja a proposta, sempre se aprende algo nesse mundo.

E quais são as novidades?

Vamos convidar artistas plásticos para criar quartos conceituais a partir de abril deste ano. A ideia é trazer novas experiências no uso desses apartamentos. Outra novidade é a reforma do teatro, que se chamará Cine Paradiso. Nesse caso, é um projeto conjunto com a rede francesa MK2. Trata-se de cinema expandido e não exibirá blockbusters. Será uma sala especial, com clássicos, e que permitirá desde um jantar a dois a um encontro com os amigos.

Já não existe esse conceito aqui em São Paulo?

O que vamos fazer é algo bem inovador. Para se ter uma ideia, em julho, no verão, em Paris, a MK2 aluga o Grand Palais des Beaux-Arts para fazer uma grande sala de cinema para os parisienses, com mesas, sofás e tudo o mais. É disso que se trata. Neste ano, por exemplo, para o lançamento de uma montadora, vários carros foram levados para dentro do Grand Palais e as pessoas assistiam ao filme de dentro dos veículos, como se fosse um drive-in. Esse é o tipo de coisa que vamos fazer.

O senhor planeja sair do setor hoteleiro?

Sempre fomos especializados em hotel de business, mas sempre tivemos ligação com entretenimento. Acho que o foco é trazer gente nova para o hotel.

O senhor não acha que o cenário econômico prejudica essa retomada?

O maior problema do Brasil hoje é a inflação. Ela corrói absolutamente tudo. Pouco se tem dado importância a esse fato, mas estamos perdendo poder aquisitivo e isso é péssimo e prejudica todo mundo. O salário que era “X” no ano passado continua “X” neste ano, mas os custos subiram muito mais do que o indicador oficial de inflação, que superou 10%. Veja bem, não se trata de reclamação, é apenas uma análise. A economia está muito lenta, o consumidor está muito ressabiado e o “dragão da inflação” está de volta. Todo mundo se preocupa com as questões polí- ticas, o excesso de viagens da presidente, mas a inflação é o que mais prejudica o brasileiro.

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