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Notícias / Liderança

Use a temperatura a seu favor

Clima afeta toda a economia e previsão meteorológica se torna estratégica para tomada de decisões

Rachel Cardoso - 15/02/2016 - 10:59:20

Crédito: Divulgação/Climatempo  /  Fonte: Revista C&S

Muitos têm como hábito, antes de sair de casa,  conferir no rádio, na TV, no jornal, na internet ou no celular, a previsão do tempo para o dia.  É um costume que tem ganhado adeptos diante das constantes oscilações climáticas com eventos extremos como temporais, enchentes, ondas de calor e secas.  Mas esse cenário não influencia só a vida cotidiana da população, mas afeta toda a economia do planeta.

Por conta disso, setores produtivos cada vez mais lançam mão dos serviços meteorológicos para garantir o sucesso dos mais variados tipos de negócios.   “Trata-se de informação estratégica para tomada de decisão”, explica Nil Nunes, sócio-gerente comercial na Climatempo.

O produtor  Tadeuzzao Piantino é um desses dependentes do clima. Hora depende do calor, hora do frio. Por isso não organiza a agenda de sua produtora sem a consultoria da previsão de tempo de um meteorologista, profissional fundamental no seu dia a dia, tanto para preparação do set como para a realização da filmagem.  “O custo de uma diária varia entre R$ 200 mil e R$ 1,2 mil, por baixo, e não se pode cometer erros”, conta.

Um exemplo do ele diz pode ser visto no Youtube, no comercial “Natureza dos Homens”, para a marca de uísque White Horse, com três cavalos brancos, na Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina. O terreno tinha de estar seco para os animais não atolarem e a equipe estava à mercê do clima. “O tempo lá fecha por completo de uma hora para outra e a estação do ano não ajudava”, diz Piantino.

Então, para trabalhar dentro do orçamento da agência, a maioria das produtoras conta com os serviços oferecidos por consultorias.   Antigamente existia o termo “Weather Day”, uma clausula que previa perdas caso não houvesse filmagem por conta do mau tempo.  “Hoje em dia isso esta cada vez mais difícil, pois as agências não querem assumir o prejuízo e deixam toda a responsabilidade com a gente”, afirma Piantino, que tem sua meteorologista preferida e não deixa de contar ainda com as forças de Iansã, rainha dos ventos, na hora de realizar um trabalho.

Outro exemplo de negócio que não sobrevive sem a previsão do tempo é o dos parques, sejam eles aquáticos ou não. Vide o caso do Hopi Hari, cuja localização já se justifica pelo clima: foi construído em Vinhedo, local do Estado de São Paulo em que há menos incidência de chuva.  Ao ligar no empreendimento para reservar um passeio, o consumidor também tem à disposição, uma linha direta com os meteorologistas para se prevenir quanto ao mau tempo.

Prova de que o uso desse tipo de estatística está cada vez mais presente no ambiente corporativo é o cardápio diversificado oferecido pela Climatempo.   A empresa é pioneira na consultoria meteorológica do País e possui serviços especializados para mais de duas dezenas de segmentos.

Lá o serviço prestado para empresas influenciadas por riscos climáticos é feito por meio de produtos e atendimento personalizados, com monitoramento de meteorologistas certificados.  Fundada em 1988 pelo meteorologista Carlos Magno, conhecido Brasil afora como o “Homem do Tempo”, a Climatempo também foi a primeira a oferecer boletins informativos para meios de comunicação.  

Com os avanços tecnológicos, as análises das previsões puderam ser feitas para períodos de tempo cada vez maiores, o que auxiliou inclusive órgãos governamentais na tomada de decisões, caso do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), localizado em São José dos Campos. É por lá que a Climatempo fez sua mais recente investida, em parceria com o Parque Tecnológico de São José dos Campos, para instalar na cidade o seu setor de pesquisa e desenvolvimento e criar projetos inovadores com instituições e empresas da região.

O centro de pesquisa do grupo Climatempo receberá R$ 2 milhões de investimento nos próximos dois anos e triplicará o tamanho da equipe. Ocupando uma sala de 130 metros quadrados no centro empresarial 2 do parque, a Climatempo tem 10 profissionais trabalhando em São José e pretende chegar a 30 até 2017, recrutando talentos formados na região.

Além do INPE, a empresa pretende procurar para parcerias com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), sediado em São José.  O INPI é ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia e desde 1970 vem produzindo conhecimento nas áreas espacial e ambiente terrestre. E também mantém um Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).

A Climatempo vai oferecer ainda dados para uso público, como já faz com defesas civis e municípios. Um dos projetos do grupo na cidade é um sistema que melhorará a qualidade de alertas de tempo severo no Brasil. Para tanto, já fechou parceria com a americana Planetiq, que terá rede de pequenos satélites em 2016. “Como a informação básica é a mesma, a inovação ocorre na prestação de serviços e na distribuição das informações”, diz Nunes, diretor da Climatempo.

E as formas de intervenção são muitas e podem vir de maneiras impensáveis para os leigos, como as condições de vento impactam, por exemplo, nas usinas para armazenamento de bagaço. É que a construção do prédio depende totalmente do clima, assim como a simples limpeza de uma vidraça na fachada de um prédio. Caso em que o colaborador precisa estar pendurado no edifício e exposto aos riscos do tempo.

As indústrias de alimentos e bebidas também dependem da meteorologia. Sorvetes e cervejas tendem a vender mais com temperaturas mais quentes. Ao antecipar tais informações, os varejistas podem planejar melhor seus estoques. O mesmo vale para o comércio de artigos de roupas e de calçados, que no caso do calor vendem pouco as coleções de inverno.

A mensuração equivocada dos estoques, mesmo que por fenômenos que não são do controle dos empresários, gera custos adicionais, especialmente para aqueles que se encontram enquadrados no sistema de substituição tributária, no qual o imposto já é cobrado antes mesmo da venda da mercadoria. Assim, a perda de receitas, e também do capital de giro do setor é agravada.

De outro lado, o turismo de sol e mar, que como o nome indica é típico do verão, é um dos grandes beneficiados – especialmente quando há predomínio de sol aliado às temperaturas um pouco acima da média.  Na agricultura e pecuária, o inverno mais ameno, desde que não seja quente demais, também é bem vindo para manter as plantações saudáveis.

Especialmente nessas últimas áreas, há pacotes de produtos elaborados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que administra mais de 400 estações. A entidade possui 10 distritos regionais que recebem, processam e enviam dados para a sede em Brasília, no Distrito Federal.  “Daqui processamos os dados e os enviamos por satélite para todo o mundo”, conta a meteorologista, Phd, Andrea Ramos,  Coordenadora de Desenvolvimento e Pesquisa-CDP do INMET.

De acordo com Andrea, as múltiplas aplicações dos produtos meteorológicos no setor agrícola fazem com que o INMET busque continuamente ampliar seus serviços voltados para a área rural. O Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO) é uma ferramenta de consulta que amplia o escopo e a qualidade dos aplicativos de Agrometeorologia.

Há ainda uma série de mapas temáticos derivados da observação sistemática dos fenômenos meteorológicos que ocorrem em todo o território nacional, permitindo aos agropecuaristas e aos tomadores de decisão um melhor planejamento de suas atividades, reduzindo riscos naturais inerentes ao agronegócio, possibilitando a minimização dos impactos ambientais.

Em relação à previsão do tempo, o INMET emite avisos de fenômenos meteorológicos adversos para a Defesa Civil e órgão governamentais e são atividades realizadas continuamente. Mas nada disso seria possível sem a interpretação de profissionais como Andrea.

Graças aos meteorologistas é que as estatísticas todas são traduzidas em inteligência de mercado. Não à toa, a atividade ganha destaque cada vez maior diante das adversidades do clima e das necessidades de compreender e antecipar as alterações climáticas.

Um dos grandes entraves é o pequeno número de faculdades que oferecem o curso de graduação, pouco mais de uma dezena em todo o País. Algumas regiões brasileiras importantes, como o Centro-oeste, não possuem um único curso, apesar de o estudo ser vital para a agricultura, o que leva muitos formandos a migrarem. A situação melhorou um pouco após a passagem do furacão Catarina pela região sul do Brasil, em 2004.

Se o mercado está em expansão, contudo, é necessário ficar atento para as particularidades da carreira.  Os primeiros contatos com a disciplina se dão nas aulas de geografia, mas não se trata de disciplina de Humanas.

A profissão é regulamentada por lei federal e é necessário cursar a faculdade, que demanda muita Física e Matemática, bases do curso. Meteorologia é física de fluídos, parece complicado e é. 

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