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Aquisição da Sharp premia tenacidade de líder da Foxconn

Compra do conglomerado japonês pela fabricante taiwanesa está estimada em US$ 3,5 bilhões

Redação - 1/04/2016 - 15:08:50

O diretor-presidente da Sharp, Kozo Takahashi (esq.) e o presidente da Foxconn , Terry Gou (dir.)
Crédito: Foxconn/Divulgação  /  Fonte: The Wall Street Journal

Terry Gou, o magnata taiwanês cuja empresa fabrica a maioria dos iPhones para a AppleInc., vestiu seu cachecol amarelo da sorte e rumou para a sede da Sharp Corp., em Osaka, no Japão. Havia chegado a hora de dar a última cartada para assumir o controle da famosa, mas abatida empresa japonesa de eletrônicos.

Na época da reunião, em 30 de janeiro, a perspectiva de uma aquisição como a anunciada oficialmente na última quinta-feira (31 de março) não era animadora, uma vez que a mídia do Japão andava divulgando que a empresa de Gou, a Foxconn Technology Group, não tinha chance contra um fundo japonês que também cobiçava a Sharp e era financiado pelo governo.

Gou, que teria um estilo de gestão impetuoso, segundo pessoas próximas, acabou causando uma má impressão aos formais membros do conselho da Sharp: eles viram o cachecol como extravagante demais para uma reunião de negócios, dizem pessoas a par do assunto.

Mas o executivo de 65 anos deu o melhor de si, recontando a história da Foxconn, a fabricante terceirizada que ele criou há 40 anos, em Taiwan, a partir de um empréstimo de sua mãe, e transformou numa potência que faturou US$ 139 bilhões no ano passado. Ele prometeu manter a tecnologia da Sharp no Japão, preservar empregos e não acabar com a marca japonesa, dizem as fontes.

O discurso fez efeito. Cerca de quatro semanas mais tarde, o conselho de administração da Sharp aceitou uma oferta da Foxconn. Encorajado, Gou passou mais de um mês negociando os termos da proposta. Ontem, os conselhos da Sharp e da Foxconn aprovaram um plano para que a empresa de Taiwan compre a Sharp por uma quantia inicial de 389 bilhões de ienes, ou US$ 3,5 bilhões, quase US$ 2,5 bilhões a menos que a oferta original, que também incluía a compra de ações preferenciais de dois bancos que concentram quase toda a dívida da Sharp. A mudança na proposta aconteceu em fevereiro, depois que a Sharp revelou possíveis obrigações financeiras antes não divulgadas.

Pelos novos termos do acordo, a Sharp vai emitir novas ações para a Foxconn em troca de uma injeção de 389 bilhões de ienes — menor que a oferta anterior de 489 bilhões —, o que daria inicialmente à empresa taiwanesa, cujo nome oficial é Hon Hai Precision Industry Co., uma participação de 66%. O preço total inclui a compra tanto de ações ordinárias avaliadas em 289 bilhões de ienes como de 100 bilhões em ações preferenciais. A Foxconn pode converter as ações preferenciais em ordinárias a partir de 1ᵒ de julho de 2017, o que aumentaria sua fatia na Sharp para 72%.

Um acordo definitivo para o negócio deve ser assinado no sábado (2 de abril), seguido de uma coletiva de imprensa em Osaka com o diretor-presidente da Sharp, Kozo Takahashi, e Gou, informou a Sharp.

Um porta-voz da Sharp não disponibilizou Takahashi para uma entrevista. A Foxconn não quis arranjar uma entrevista com Gou.

A aquisição encerra uma jornada que começou há quatro anos, quando Gou fez uma tentativa fracassada de agregar a Sharp a um império que emprega mais de um milhão de trabalhadores na China.

O acordo também marca uma reviravolta para a Sharp e para o setor empresarial do Japão. Durante anos, empresas estatais e privadas, amparadas pelos grandes bancos do país, uniram forças para afastar pretendentes estrangeiros de suas estrelas industriais, principalmente no setor eletrônico — ainda uma fonte de orgulho nacional, apesar da perda de participação de mercado e do fechamento de cada vez mais fábricas.

A história de como Gou superou o fundo japonês Innovation Network Corp. of Japan e, então, barganhou tenazmente pela Sharp foi revelada em entrevistas com executivos, conselheiros e autoridades do governo envolvidos no negócio.

A Sharp, que vinha sofrendo um longo declínio em sua unidade de eletrônicos, foi resgata pelos bancos em 2012. Depois de uma queda no preço das telas de smartphones que a empresa fornece à Apple, os credores voltaram a socorrer a Sharp em 2015.

A Foxconn e o INCJ abordaram a Sharp separadamente.

Depois da reunião de Gou com os conselheiros da Sharp, em janeiro, foi a vez do diretor-gerente do fundo japonês, Koichiro Taniyama, um ex-executivo do grupo de private equity Carlyle, propor uma união da divisão de telas para aparelhos eletrônicos da Sharp com outra fabricante de telas de cristal líquido. Ele disse que uma escala maior ajudaria as empresas num setor competitivo, segundo uma pessoa que participou da reunião.

Os principais credores da Sharp, os bancos japoneses Mizuho Bank e Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ, sugeriram à Sharp que considerasse novamente a proposta da Foxconn, dizem as fontes. Gou havia visitado os bancos para defender sua proposta.

Na época, a oferta da Foxconn era mais que o dobro da proposta do INCJ.

O momento era propício para a Foxconn, já que o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, estava fazendo uma campanha para atrair mais investimentos estrangeiros ao país, numa tentativa de revigorar seu enfraquecido programa econômico.

Em fevereiro, as negociações entre Sharp e Foxconn se intensificaram. No dia 24, quando a Sharp iniciou uma reunião de conselho de dois dias, parecia que as duas empresas iam fechar o negócio. Aí, a Sharp enviou um e-mail para a Foxconn com documentos detalhando obrigações financeiras condicionais no valor de 350 bilhões de ienes que não haviam sido reveladas antes, um possível risco financeiro para a Sharp no futuro, dizem pessoas a par do assunto.

Gou estava numa sala com dezenas de assessores quando o e-mail chegou e “todo mundo ficou louco”, diz uma fonte. Gou mandou sua equipe analisar a lista de mais 100 itens.

Por e-mail, a Foxconn afirmou que gostaria de adiar a assinatura de um acordo, mas a Sharp aceitou a oferta da Foxconn no dia seguinte. No dia 26, Takahashi voou até Shenzen, na China, onde a Foxconn opera suas fábricas, numa tentativa malsucedida de se encontrar com Gou, dizem as fontes.

Mas Gou enviou um de seus executivos para falar com Takahashi. Eles analisaram os detalhes do acordo durante toda a madrugada, enquanto Gou esperava em uma sala próxima com sua equipe financeira, diz a fonte.

Depois de marcar uma reunião do conselho, ontem, para aprovar o novo acordo, Gou emitiu um comunicado dizendo que estava animado com a perspectiva de trabalhar com a Sharp.

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