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Notícias / Opinião

Avançar ou regredir

Governos pilotados por inábeis condenam ao fracasso um país e uma ou mais gerações.

Antonio Machado - 5/10/2018 - 19:32:35

Crédito: Banco de Imagens
Gente! Sabe o que aconteceu enquanto nos entretemos com Lava Jato, impeachment da Dilma, prisão do Lula, kit gay, #elenão, escolas que deseducam, juros, déficit e dívida pública com obesidade mórbida, tudo motivo de discussões ácidas e nenhuma solução?
 
Pois é: ficamos mais pobres, desperdiçamos oportunidades, tratamos do desemprego e não do que cria emprego. Pesquisa eleitoral não diz nada sobre isso. Na banheira da política, há mais espuma que sabão.
 
Aos fatos. Ou, curto e grosso, ao que põe arroz e feijão no prato.
 
Nos últimos cinco anos, de 2013 a 2017, a renda per capita global acumulou expansão superior a 10%. Mas os cidadãos da Índia, China e Bangladesh tiveram aumento médio de renda de 45%, pelo critério de paridade de poder de compra. A renda por pessoa nos EUA avançou 17% no quinquênio, 13% no Japão, 12% na Itália, 9% na Rússia, e...
 
E no Brasil regrediu 1,2% em cinco anos até 2017, dados do Banco Mundial. No ano passado, houve pequena recuperação, e a renda per capita cresceu 0,18%, vindo de retrações de 4,25% em 2016, 4,4% em 2015 e 0,38% em 2014. Esse é um desastre que arruína uma geração.
 
No passo arrastado da retomada do produto interno bruto (PIB), com alta prevista de 1,4% este ano, não será tão cedo que a renda média de todos nós voltará ao que era antes que o poste sem luz inventado por Lula gerasse “a mais severa de todas as recessões brasileiras”, segundo Aloisio Campelo Filho, chefe de estatísticas públicas da FGV. Em sua avaliação, continuamos 6% abaixo do pico anterior à recessão.
 
Governos pilotados por mãos inábeis condenam ao fracasso um país e uma ou mais gerações. Desde 1960, por exemplo, conforme a base de dados do FMI, a China levou apenas 11 anos para dobrar a renda média dos chineses; a Coréia do Sul, 12 anos; Singapura, 14; Índia (maior e mais complexa democracia do mundo), 21 anos. Nós levamos 37 anos.
 
E com tendência de passar para lá de meio século para voltarmos a dobrar a renda per capita desde o “pibão” de 2010, a alegoria de Lula para sair do governo com popularidade recorde e eleger a sucessora.
 
O Brasil se desencaminhou há muito tempo, com método e empenho desde que a Constituição de 1988 consagrou a partilha do que nem fora ainda produzido, pôs direitos à frente dos deveres, desprezou a qualidade da educação, relegou a produção e o investimento, criou várias castas de burocratas. Mas estejam certos: a ruína veio de nossos votos.
 
Ponta do iceberg do atraso
 
Aos fatos. A propaganda eleitoral oculta o que é inconveniente.
 
Nada, por exemplo, está mais presente no dia a dia que o smartphone. “Amigo” de todas as horas, é mais computador de bolso que telefone, e superpoderoso, com implicações da economia à política, da cultura às relações sociais. Continua em evolução, sempre nos surpreendendo. E é só a ponta do iceberg das rupturas desencadeadas pela tecnologia.
 
Como estamos neste campo coberto pelo termo P&D (R&D, em inglês), de pesquisa e desenvolvimento? Quer mesmo saber? Na idade da pedra.
 
As empresas conhecidas por outro acrônimo, FAMGA, investiram em P&D, no ano passado, US$ 71,6 bilhões. Cinco ao todo. Nós, entre aportes públicos e privados, a merreca de US$ 24 bilhões, 1,27% do PIB (mas com alta probabilidade de esse valor estar superestimado).
 
A ameaça da obsolescência
 
Amazon, Google, Microsoft, Apple e Facebook, o tal FAMGA, seguidos por muitos outros, põem em pesquisa o triplo do que investimos mal e porcamente – e, ainda assim, à custa de subsídios. Há futuro assim?
 
Aos fatos.
 
Segundos dados da Finep, principal agência de apoio à tecnologia no país, citados pelo seu presidente, Marcos Cintra, o aumento de 1% nos gastos em P&D gera crescimento adicional do PIB (na média global) de 9,92%. Educação e infraestrutura, outras duas áreas sucateadas nos últimos governos, trazem retorno incremental de meros 0,25% e 0,01%.
 
Infraestrutura é essencial para a volta do crescimento. Educação é o fundamento civilizatório. Mas importa mesmo o que se faz com ambas. Fazemos algo? Quem puxa o progresso global, tipo China, Índia, EUA, vem moldando um tempo em que tudo conhecido está em vias de se tornar obsoleto – bancos viram aplicativo de celular, veículos com condução autônoma, energia sem petróleo, relógio com funções de UTI etc.
 
História de perversidades
 
Tecnologia da informação, inteligência artificial, robótica, máquina que “aprende” fazendo etc. definem, hoje, a soberania de países, trazem prosperidade, promovem o bem-estar social. Estamos longe disso tudo, começando pela educação sofrível, incapaz de formar o que a economia, a administração pública e a sociedade tornaram indispensáveis.
 
Aos fatos. Não sabemos nada dos candidatos sobre tais prioridades. É provável que as ignorem. Em compensação, são mestres na desconstrução de adversários, na sedução da boa-fé com trocados – perversidades que marcam nossa história de iniquidades, incompetência e sem futuro.
 
A elite de hashtags
 
Outra vez o cavalo aparece selado e outra vez as opções aparecem ora embaçadas, ora fraudadas. Tipo o quê? Prever em junho, como sujeitos do tal mercado previram, que o dólar roçaria os R$ 5 na véspera das eleições, apesar de o Banco Central ter reservas de US$ 380 bilhões e ter ofertado hedge a todos com passivo em moeda estrangeira.
 
Era só especulação, frustrada pelo BC não ter injetado dólares para esfriar a febre nem acenado aumentar a Selic. Aumentar para que, com a economia fria, o desemprego bravo e o crédito seletivo?
 
Esse é o país do “me engana que eu gosto”, em que nababos da burocracia tecnocrática e política se apresentam como defensores dos pobres para atacar as reformas que ferem seus privilégios.
 
Aliás, como artistas, intelectuais e juristas subprime - elite que adulterou o humanismo progressista e sem ideias sobre como romper nosso atraso. Mas são bons em hashtags (#).

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