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Notícias / Opinião

Decadência da nação

Refazer a ordem do Estado exige povo engajado, líderes visionários e empresários empreendedores

Antonio Machado - 25/06/2018 - 12:26:14

Crédito: Banco de Imagens

No Brasil dos últimos 30 anos, da Constituição batizada de cidadã e, de verdade, de uns poucos privilegiados, especialmente da elite do setor público e dos grupos econômicos pendurados no Tesouro, o superávit de desaforos excede os muitos déficits que nos assombram.

A audácia contra a boa-fé popular não para. Na última, o Tribunal Superior do Trabalho deu ganho de causa a 52 mil funcionários da Petrobras numa ação com perda estimada em R$ 17 bilhões à estatal (ou seja, a todos nós) por razão despropositada, como demonstra o placar apertado (13 a 12). 

Um caso típico em que o estamento do Judiciário protege outro, a “nobreza” estatal, em conluio contra a sociedade. 

Dias antes se descobriu que o Congresso aprovou no fim do dezembro emenda constitucional obrigando a União a abrir crédito subsidiado para os governos estaduais pagarem precatórios. Mais um desaforo. 

Nestas três décadas, políticos, empresários, economistas e um sem número de estudos alternaram cenários otimistas e pessimistas sobre o futuro, mas sempre assumindo como real um país idealizado, não o país da realidade mais feia que a esperança. Se olhássemos um pouco mais para o curso do mundo, talvez tivéssemos tido outro destino. 

Com visão mais pragmática, sem espaço ao debate entre a ortodoxia e a heterodoxia na condução da economia, e nenhuma indulgência com a inépcia dos dirigentes e a corrupção nos altos escalões do poder, um punhado de países encontrou o desenvolvimento, no mesmo período, partindo de condições adversas como jamais houve no Brasil. 

Esse é o fato: comparativamente ao que se assiste no mundo, nosso boletim econômico, social e civilizatório é um desastre em série. E, a considerar o nível dos candidatos a presidente e suas propostas, as três décadas de frustrações não devem acabar tão cedo. 

Quais as evidências? Pegue-se a balança comercial, a vitrine dos predicados econômicos de um país. Na lista da Organização Mundial do Comércio (OMC), aparecemos como 26º maior exportador, com US$ 217,7 bilhões. É muito? É pouco? É vexatório à luz do tamanho da economia (9ª do mundo), da população (5ª) e dos recursos naturais. 

A lição cívica do Vietnã 

O pequeno e sofrido Vietnã, palco da última guerra devastadora no mundo, mostra o poder da força de vontade de uma nação. 

Desde 1986, prioriza a economia de mercado apesar de o comunismo ser o regime oficial, construiu uma indústria ampla e sofisticada, aproximou-se dos EUA e fez em 30 anos o que Brasil desfez nesse mesmo tempo. 

No ano passado, as exportações vietnamitas foram só US$ 4 bilhões menores que as nossas, e em 2018 já devem ter passado à frente. 

Trata-se de um esforço movido por forte coesão nacional, o que não temos, nunca tivemos, e não haverá somente com reformas econômicas. O ordenamento do Estado é o que não funciona e isso não se mudará sem líderes visionários, empresários empreendedores e povo engajado. 

Geleia que gera o atraso 

O sucesso industrial e geopolítico do Vietnã é história recorrente nos tempos atuais, repetindo-se, com poucas variações, na Índia, Taiwan, Coréia do Sul, Indonésia, México, para não falar da China. 

Excepcional, no mundo, é a nossa decadência, levada pelo que não há em tais países: organização estatal disfuncional e corrupta. 

É dessa geleia que sobrevém o subdesenvolvimento e suas sequelas: sistema político alheio à vontade nacional, refém, por isso, de uma burocracia sem outro propósito que o próprio interesse, irmanados a grupos econômicos retrógrados, inclusive estrangeiros, que existem graças ao que foi banido nas economias bem sucedidas – subsídios à revelia de compensações de empregos e de tecnologia, protecionismo contra concorrência, poder de influência em agências regulatórias. 

O poder está bagunçado 

Nada disso se resolve pondo canga no gasto público, com reforma do sistema tributário, tributando os mais ricos, sem prejuízo de que a modernização da economia é prioridade elementar. Só que nada mudará se forem mantidos os arcabouços apodrecidos da concepção do Estado. 

Na prática, isso é como um fungo que azedou as boas intenções, por exemplo, da Constituição de 1988 e de tudo o que veio a seguir - da reforma monetária de 1994 ao teto do orçamento federal em 2016. 

Veja a inflação: bastou uma greve de caminhoneiros para a variação do IPCA saltar de 0,14% em maio para 1,1% em junho, na medida de meio do mês. 

E o teto de gasto? Ficou como prédio inacabado sem o ajuste fiscal – hoje claramente insuficiente, se o futuro governo não encabrestar as corporações e forçar o STF a voltar a ser uma Corte Constitucional e não a quarta instância do Judiciário, ouvidoria de partido sem voto e conciliadora de conflitos. 

Pode ministro do STF, por exemplo, meter-se a mediar a pendenga sobre a anacrônica tabela de frete de carga? 

O exercício do poder está bagunçado e a hora de enquadrar patetices será nas eleições, se o eleitor não se fiar em conversinha furada dos santeiros de campanha eleitoral. Como os nomes devem ser os que estão aí, que ao menos atraiam vices que os façam parecer inteligentes.

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