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Notícias / Opinião

GovTech é a solução

Não há futuro sem gestão pública assentada no modelo de plataforma e apoio a negócios inovadores

Antonio Machado - 14/08/2018 - 11:21:07

Crédito: Banco de Imagens

O Brasil que já poderia ter sido e que não aparece na retórica dos candidatos, e talvez jamais apareça, despontou num evento realizado em São Paulo para expor o conceito do GovTech, o governo movido a tecnologia. Em síntese, um país em que as facilidades da tecnologia digital impulsionam a economia e estão a serviço das pessoas – da marcação de consulta no SUS à eliminação de custos e de burocracia.

Nada mais se faz no mundo moderno sem a retaguarda da tecnologia da informação (TI), gerada graças à internet, sobretudo a partir de sua progressão para as redes de transmissão rápida - a banda larga.

A fusão da tecnologia digital (que permite converter tudo o que se vê e se escuta em dados binários) com as redes físicas e sem fio de acesso a acervos remotos de informações viabilizou um sem mundo de aplicações – da postagem de textos, fotos e filmes em redes sociais ao home banking, e-commerce, reserva de hotéis e passagens etc.

Nas atividades produtivas, a disponibilidade de recursos digitais é determinante à sobrevivência dos negócios, qualquer negócio, seja a montagem de carros (onde cresce o emprego de robôs) ou a venda de quaisquer bens (adquiridos em e-commerce ou em loja física, com os pagamentos efetuados pelo comprador em terminais eletrônicos).

Até o cartão de plástico tende a ser superado por aplicativos de pagamento no celular (com ou sem os logos das administradoras).

Este mundo novo engatinha nas atividades privadas no Brasil. E, no setor público, nem isso. Não por faltar gente preparada nos setores de ponta da gestão estatal. Faltam governantes e assessores com a compreensão sobre o sentido das transformações, além de disposição para aplicá-las com convicção. Esse é o nosso maior déficit.

Não há entre os ditos líderes políticos e os aspirantes em sê-los o senso do que apareceu estampado na camiseta do fundador do Waze, Uri Levine, um dos palestrantes do evento sobre GovTech: “Apaixone-se pelo problema, não pela solução”. Ou, de outra maneira, se mova pelos desafios, com coragem e objetivo, que as mudanças acontecem.

Vanguarda movida a paixão

Aqui, há muito e muito tempo falta paixão, especialmente pelo bem público, exceto entre uns poucos visionários como a Fundação Brava, promotora do oportuno seminário sobre a transformação digital do setor público – alicerce dos países na vanguarda do avanço social e econômico, como China, Índia, Singapura, Israel, Estônia, Coréia do Sul. Neles, tecnologia é meio estratégico de mudanças, não o fim.

Nestes tempos de governos com o caixa à míngua, pacto federativo em crise, conflitos entre o Judiciário, o Parlamento e o Executivo, infraestrutura em ruína, desemprego, candidatos que não empolgam ou ultrajam a ordem pública, o país precisa de objetivos e ambições renovadas. Crescimento econômico robusto é o mais necessário.

Mas como? Por onde começar? É simplista formular reformas de cunho fiscal, supondo que o investimento, condição para o crescimento em base sustentada (e não o consumo), ecloda por geração espontânea.

A Amazon como inspiração

Foi-se o tempo em que bastavam ações tópicas para tudo se ajeitar. O somatório de ideias políticas superadas com atitudes retrógradas nas áreas do comportamento e da cultura desvia atenções sobre o que se deve fazer, enquanto as oportunidades são desperdiçadas e o país vai ficando para trás na corrida do progresso que move o mundo.

Como expuseram os economistas Marcos Lisboa e Vinícius Carrasco no GovTech, não há futuro sem inteligência inovadora no setor público. Quer dizer, administração assentada no modelo de plataforma digital tanto na arrecadação fiscal quanto no gasto orçamentário tal e qual a complexidade das operações dos gigantes Amazon e Alibaba.

Eles gerenciam redes de fornecedores, monitoram demanda e crédito, antecipam tendências, cuidam de logística, desfrutam de altas taxas de satisfação da clientela, tudo com estrutura integrada de gestão baseada em inteligência artificial. Temos a estrutura (ao menos nas ilhas de excelência do Estado). Falta a inteligência da governança.

Lobbies deformam o voto

Onde estamos na corrida tecnológica? No desenvolvimento autônomo, muito mal, pois dependente de educação rigorosa, focada, sobretudo, em matemática, além de ausência de barreiras à gênese de empresas inovadoras. Quanto a serviços públicos de qualidade, a carência é de governança, cadeia de comando, direção, metas e transparência.

Até 2020 deverá estar feito o recadastramento biométrico de toda a população acima de 16 anos, abrindo caminho para a identidade única digital e maior controle sobre movimentações de dinheiro. A emissão de moeda eletrônica é outra inovação em estágio avançada. Registro de imóveis com um único número nacional só depende de legislação.

E também do fim dos cartórios, anacrônicos tanto quanto escrituras em papel e assinatura presencial. Mais não se faz devido à força de lobbies, que corrompem a política e deformam a intenção do voto.

Tecnologia como xerife

A tecnologia digital é a nova energia que reinventa a economia e renova os governos no mundo com uma intensidade ainda não vista no Brasil. Mas o pouco que se faz com ela no governo já tem resultados tangíveis na detecção de fraudes na operação dos bancos de dados.

Varredura da CGU, por exemplo, flagrou o desvio de R$ 5,5 bilhões nos programas assistenciais. Tais “incertas” são relevantes, já que o Tesouro Nacional sustenta 77 milhões de pessoas com benefícios sociais, segundo o economista Fernando Montero.

Isso representa 53% da população de 15 a 64 anos, ou 56% com servidores federais ativos e inativos. E seriam mais 3 milhões, diz Montero, se crescesse como nos últimos quatro anos. A varredura antifraude explica a redução.

Tais dados elucidam a popularidade de Lula (a população de arrimos do Tesouro mais que dobrou desde 2003) e o déficit fiscal crônico. Está aí porque político torce o nariz para as novas tecnologias.

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