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Notícias / Opinião

Nossa única certeza

Não há como revolucionar o país sem o poder da tecnologia e seus desdobramentos na gestão pública

Antonio Machado - 11/09/2018 - 11:05:02

Crédito: Banco de Imagens

Na mais imprevisível corrida eleitoral desde 2002, entre as poucas certezas, como a de que a renovação no Congresso será baixa e que o futuro presidente dificilmente terá um parlamento submisso, a única certeza necessária não está na agenda dos candidatos: o emprego da tecnologia da informação como veículo de transformações - da gestão do setor público à renovação da economia e da promoção social.

Sem um programa transformador da administração do Estado nacional, hoje o maior obstáculo à retomada do desenvolvimento em seu sentido mais amplo, nem o novo governo nem a futura legislatura conseguirão viabilizar as mudanças de fato necessárias.

E os programas fiscais propostos pelos candidatos, a rigor, enraizarão a crise fiscal, ao ignorar como levar o país ao encontro do que move hoje no mundo as economias bem sucedidas. O petróleo dos tempos atuais atende pelos nomes de tecnologia da informação e inteligência artificial. Ponto.

Já não basta cortar gastos públicos dispensáveis nem cogitar outra rodada de aumento de impostos sem, previamente, faxinar tudo o que permitiu tantas e tamanhas lambanças. Em regra, vai ao ralo o gasto meritório sem padrinhos influentes e torra-se o dinheiro a mais de carga tributária com planos e funções sem valor econômico e social.

Fazer o certo implica afrontar o establishment que manda no país - da elite das corporações de servidores, sobretudo no Judiciário, a setores econômicos arcaicos e agarrados às tetas do Tesouro. Não se muda nada disso com a conversa fiada de certo tipo de candidato nem falando grosso para impressionar, como quem bate boca num bar.

Muda-se o status quo do que não serve ou ficou obsoleto com visão de futuro e programa alicerçado num fluxo de processos inovadores, propostos por uma curadoria de inovação dedicada a selecionar o que para de pé, eleger prioridades, testar hipóteses, desenhar o modelo de missão (o modelo de negócios, se fosse numa empresa) e indicar o caminho das pedras para refazer a governança dos serviços públicos.

E tudo com prazo exíguo, metas a atingir e orçamento definido, que se limitam, em resumo, à responsabilidade do presidente. Mas também dos líderes do Congresso, conforme a característica do nosso modelo de presidencialismo parlamentar (o contrário do presidencialismo de cooptação, em que o governo corrompe e suborna os parlamentares).

O discurso que já cansou

A verdade é que o discurso dos políticos já cansou, o crescimento nos próximos anos será pífio se nada mudar e o Estado, sobre o qual sempre se pôs a esperança de puxar a roda da civilização, se tornou caquético, disfuncional, refém de interesses nefastos.

A destruição do Museu Nacional foi mais um sinal de nossa profunda regressão.

O crescimento se exauriu, ceifando a expectativa de saída rápida da recessão forjada pelos governos passados, devido à governança do Estado voltada a atender, preferencialmente, maganos da burocracia e falsos progressistas, além de gestão da economia para sugar renda de atividades produtivas (pegando leve com os amigos do poder), não para incitá-las a produzir de acordo com os padrões internacionais.

Qual é o imperativo moral

O país carecia já na gênese da Constituição, 30 anos atrás, de um plano com foco na educação básica, sem a qual nada se constrói, no ensino técnico profissionalizante e em ações estratégicas visando o desenvolvimento tecnológico inovador e permanente e a encorajar um fluxo perene de empreendedores estabelecidos e emergentes.

Fomos na direção contrária. Como a história é feita de implicações não intencionais, a Constituição favoreceu a burocracia, sedimentou o controle da livre iniciativa e semeou a cultura do desperdício em nome do “tudo pelo social”.

Um programa de longo prazo que resgate o país da miséria intelectual que nos consome é hoje um imperativo moral, e não só (por mais que seja indispensável) o ajuste fiscal.

A transformação é digital

Não há outro jeito de revolucionar o país sem envolver o poder da tecnologia e seus desdobramentos na gestão pública e sua interação com o cotidiano da sociedade. Com elas, a economia se transforma, o atraso político se despede e a dignidade social se reergue.

Por onde começar? Um dos melhores intelectuais de minha geração, André Lara Resende diz que “o avanço da tecnologia digital tornou viável” criar uma “plataforma digital nacional”. É uma iniciativa, diz ele, “relativamente simples, que pode reduzir custos, eliminar a burocracia, facilitar o acesso aos serviços públicos e ainda aumentar a produtividade e a inclusão social”. E depende do quê?

Bombeiros e embusteiros

Lato sensu, de convencimento político, já que há gente muito boa em nichos técnicos do governo que sabem o que fazer e, sobretudo, como se faz. Um par de ordens executivas pode viabilizar um sistema de arrecadação de impostos em bases reais e um modelo de pagamentos que, no limite, dispensa a mediação de cartões de crédito e débito e até de bancos.

Parte disso está implantada na China, em curso na Índia e em países nórdicos e em discussão na Europa e nos EUA.

É como se diz: os cães ladram e a caravana passa. Gastamos tempo com falsos líderes políticos, fingimos atenção com a educação. Vai ver a culpa é dos bombeiros, como disse o reitor da UFRJ ao ver em chamas o museu que deveria cuidar. Não nos faltam embusteiros.

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