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Notícias / Opinião

Retomada da economia ganha tração

Apesar de dependente da política e do veredicto das urnas

Antonio Machado - 5/12/2017 - 23:20:40

Crédito: Banco de Imagens

Curioso o Brasil. Contrariando os prognósticos, a economia vem aos poucos saindo da lama. É altamente provável que as eleições se deem sob um ambiente promissor em termos de emprego, renda e crédito. 

Esse quadro de retorno gradativo da normalidade econômica conflita com o da política (cada vez mais perdida), das contas públicas (com viés de insolvência) e dos poderes do Estado (um labirinto em que a mistura de mediocridade, vaidade e interesse escusos ou ideológicos tornou disfuncional a prática da autoridade e a governança geral). 

O risco é que se tome o esforço da sociedade para vencer a grande recessão provocada pelos desatinos de Dilma Rousseff, levando o PIB a recuar 8,6% em três anos e a renda per capita, mais de 10%, como senha para desarmar os controles do gasto público, jogar pá de cal sobre as reformas estruturais e acionar o velho vício de induzir o endividamento impensado das famílias para acelerar o crescimento. 

Políticos ansiosos por resultados e despreparados para gerir uma borracharia são muitos. E sempre encontram legiões de economistas dispostos a deturpar os modelos econômicos para tentar dar alguma racionalidade a barbeiragens. Empresários oportunistas também dão a maior força, como se viu com o corte da tarifa de energia elétrica em 2013, cuja autoria foi reivindicada pela Fiesp até com anúncios, e a asneira da desoneração da contribuição patronal ao INSS. 

Estas decisões canhestras - e houve mais, como o congelamento do preço dos combustíveis - arrasaram o setor elétrico, desfalcaram o caixa já furado da previdência e demoliram a Petrobras. Só serviram para iludir o eleitor incauto a dar a Dilma outro mandato em 2014. 

Tais atos empurraram a economia para o brejo e abalaram o emprego mais que qualquer austeridade do orçamento público. Mas nem assim sensibilizaram os doidivanas do Congresso e a burocracia estatal. 

Maus empresários pressionaram para barrar a medida provisória que punha fim às desonerações da folha na Câmara e a fizeram desfigurar o enésimo Refis – flagrantes do descaso com o déficit orçamentário, semelhante ao de sindicatos contrários ao saneamento da Petrobras. 

Distrações antes do jogo 

A campanha eleitoral se aproxima, entretida pela dianteira de dois populistas, o que já seria desastroso se estivesse tudo azul, e a desconfiança sobre se o tucano da vez possa ser páreo contra ambos. 

Isso explica o entra e sai no noticiário de possíveis candidatos dissociados da política tradicional, outsiders da Brasília viciada, como se a falência moral dos partidos fosse causa única da crise e não parte da geleia que subverte a governança do Estado nacional. 

Ela expôs as corporações de elite do funcionalismo, especialmente do Judiciário e do Ministério Público Federal, movidas pelo senso segundo o qual se a farinha é pouca, meu pirão primeiro. Para elas, são normais salários, em média, 67% acima aos do setor privado, uma das aberrações destacadas por estudo recente do Banco Mundial. Tais privilégios conspurcam a cruzada contra a corrupção dos políticos. 

Muitos erros e desvarios 

Atrás do gigantesco déficit do orçamento federal, que se repete em quase todos os governos regionais, não há apenas a causa do inchaço da dívida pública (razão básica dos juros escandalosos sem igual no mundo), cujo crescimento só deverá começar a reverter lá para 2022. 

Elas resultam de políticas econômicas mal formuladas e de decisões que atentam contra a aritmética e as boas práticas contábeis, além do desvario de corporações que se acham acima do interesse maior da sociedade e mais preocupadas em enriquecer à custa dos “outros”. 

Considerem-se tais problemas, adicionem-se a infiltração do crime organizado junto às instituições e a realidade de já estarmos há 30 anos sem projeto de nação, enquanto a tecnologia e a geopolítica desenham um mapa hostil a países sem rumo. Haverá lideranças aptas a enfrentar tais desafios a partir de 2018? Não se sabe nada sobre isso dos presidenciáveis em cartaz. O que é grave, pois temerário. 

Cautela com os desaforos 

Tão frustrante quanto se discutir candidaturas pelo jeitão delas e não pelo que planejam para restaurar o desenvolvimento, emparelhar a economia ao progresso em curso no mundo e unificar o país é saber que o crescimento econômico está firme, mas poderá ser perdido, se o eleitor for às urnas desconhecendo o que esperar dos candidatos. 

Economia não aceita desaforo. O PIB deve crescer 1% este ano, nas contas do economista Fernando Montero, e passar de 3% em 2018 (até mais, anualizando-se a taxa do último trimestre), com inflação na meta, aplanando o terreno para uma reforma mais ampla que o ajuste envergonhado da previdência e a modernização da governança pública. 

As portas se abrem para o fracasso retumbante ou para um ciclo de prosperidade. Depende dos nomes gravados nas cédulas digitais. Hoje só há um rascunho. Ainda falta o programa que arrebate a nação. 

Pobre é parte da solução 

O programa para 2019 em diante é uma obra em construção dependente da engenharia eleitoral. Sabe-se, porém, o que não fazer. O piso da pirâmide de renda, por exemplo, é parte da solução, não uma rubrica de despesa ociosa do orçamento dos governos federal e regionais. 

Outra cautela é com o discurso social praticado por porta-vozes de corporações incrustrados nos partidos. Ocultam que o gasto público, sobretudo com pessoal, é o mais possante mecanismo de transferência de renda em favor de quem não precisa. O antídoto inovador contra esses desvios embute a solução: cadastros únicos das movimentações de dinheiro público, geridos como o modelo de plataformas digitais. 

A tecnologia é conhecida e permite replicar uma onda de inovação e negócios emergentes. Com visão e criatividade, sai-se da armadilha do populismo, e também da redenção somente com ajuste fiscal.

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