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Inteligência artificial não elimina empregos, ela cria oportunidade

O valor, o poder e a eficiência da IA não surgem da sua capacidade de substituir os seres humanos

Redação - 2/07/2018 - 16:10:09

Crédito: Banco de Imagens

Na Fortinet, investimos em inteligência artificial (IA) há anos. É uma tecnologia incrível que apresenta oportunidades extraordinárias de como proteger as redes e, por fim, a internet. Com a IA se tornando mais comum e mais sofisticada, ela esclarece uma verdade importante: o valor, o poder e a eficiência da IA não surgem da sua capacidade de substituir os seres humanos.

Na verdade, a IA faz exatamente o oposto. Tanto a automação quanto a IA enfatizam a importância da percepção e do conhecimento humano para o sucesso. Argumentos e notícias que colocam a tecnologia como uma ameaça crescente, ampliando as divisões sociais e limitando as oportunidades podem provocar reações mais fortes (e mais cliques), mas, em geral, a inovação não é para adicionar ou subtrair, e sim para multiplicar. Ela cria muito mais oportunidades para mais pessoas e de várias formas, mais do que pudessem imaginar a princípio as pessoas mais diretamente afetadas por ela.

O e-mail substituiu o correio? Embora o número total de funcionários tenha caído de 2007 a 2016, agora é um pouco mais do que era em 1965. O volume de correspondências normais e de marketing diminuiu, mas o volume total de envio de pacotes aumentou de 3,3 bilhões a 5,2 bilhões de pacotes. Os pontos de entrega aumentaram de 148 milhões para 156 milhões e existem milhares de caminhões de entrega adicionais rodando pelas estradas.

Os caixas eletrônicos substituíram os bancos? Não. Além de diminuírem os custos de uma agência, os caixas eletrônicos ajudaram a aumentar o número de bancos em mais de 40%. Na verdade, eles não substituíram nem os caixas de banco, cujos serviços aumentaram para atender à demanda de mais agências.

A ascensão e disseminação da IA nos obriga a nos conscientizar que encher os funcionários de tarefas boas para a IA, como atividades repetitivas e que exigem precisão e controle, sem envolver raciocínio, pensamento de ordem superior ou senso comum, é um estilo de gerenciamento ultrapassado e divisor.

É difícil imaginar um setor que mais depende da tecnologia digital do que a cibersegurança. Desde o do terceiro trimestre de 2017, nossas ferramentas e tecnologias de cibersegurança neutralizaram 91 mil programas de malware, bloqueando o acesso a 150 mil sites mal-intencionados e impedindo 4,4 milhões de tentativas de invasão de rede por minuto.

O mundo digital está repleto de ameaças, que incluem brincalhões maliciosos a criminosos, seitas ideológicas a ciberterroristas patrocinados pelo Estado, ameaçando tudo, desde nossas identidades individuais até a infraestrutura crítica da nossa sociedade; e não há como proteger os dados sem a IA de autoaprendizagem e automação. Para que a cibersegurança seja eficaz, devemos utilizar a IA em tarefas demoradas, como mineração de dados e análise de logs de dados, assim as equipes de cibersegurança podem se concentrar nas tarefas de ordem superior, como identificação e eliminação de ameaças.

Porém, um dos maiores desafios que o nosso setor enfrenta é a falta de talentos. A taxa de desemprego do nosso setor é 0%. Em 2016, foram criados um milhão de novos empregos em cibersegurança cibernética e as estimativas indicam aumento de cinco ou seis milhões nos próximos anos. Em 2015, houve aumento de 74% nas vagas de trabalho em cibersegurança, metade das quais não foram preenchidas.

Em todos os setores, 45% das organizações afirmam ter uma grave escassez de profissionais de cibersegurança. Por isso, as equipes de cibersegurança precisam correr entre uma crise e outra, com pouco tempo para elaborar um planejamento estratégico ou aprendizado contínuo e acompanhar a sofisticação das ameaças.

Estes são certamente desafios das empresas, que se tornam cada vez mais dispendiosos. A demanda em si está promovendo uma guerra por talentos, e o custo relacionado ao cibercrime deve atingir US$ 2,1 trilhões globalmente até o próximo ano.

Não conseguiremos preencher esses cargos se não houver maior conscientização sobre a necessidade deles, treinamento já no ensino Fundamental e Médio e maior envolvimento dos estudantes universitários, principalmente as mulheres, que atualmente representam apenas 14% da força de trabalho no setor de cibersegurança. A automação e a IA não estão eliminando empregos, elas criam novas oportunidades, com altos salários, altos níveis e seguros, a uma velocidade sem precedentes. Com os níveis de dados que não param de crescer, a demanda será ainda maior.

 

Por Michael Xie, fundador, presidente e CTO da Fortinet

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